Boa noite! São 20:03, eu estava fazendo uma lista no meu diário sobre as coisas que me davam prazer na juventude e o blog é uma dessas coisas, me recordo de passar o dia todo fazendo o css e foi por isso que resolvi cursar design na época.
A clínica médica ficava bem próxima a santa casa que é o local que eu fiz estagio no último ano de faculdade, passou tantas coisas pela minha cabeça, um misto de emoções já que os últimos meses eu to bem fora do meu eu habitual, um turbilhão de emoções, quem diria em Adriana que você um dia estaria há meses agindo só no impulso e na emoção?
Ontem na padaria o sentimento foi; eu sempre fui muito mais capaz do que achava eu sempre pude muuuuuuuuito mais. Lembrei da minha amiga Fer e fiz um vídeo pra ela da padaria que íamos todos os dias após o final do estágio de intensiva e que na época eu jurava que nunca iria sentir saudades, ah esse dia chegou, novamente: quem diria?
Chorei, mas foi um choro de querer abraçar o meu eu do passado e passar confiança e conforto pra ela, depois foi um choro por me perdoar em ter sido tão dura comigo mesmo, em ter me culpado por falta de conhecimento da vida, chorei pelo perdão de sempre ter me tratado de forma agressiva e cruel, só eu sei a quantidade de batalhas que eu tive que lutar ao mesmo tempo em toda minha vida.
Seria irônico receber o meu possível diagnóstico ruim bem quando estou na minha fase mais dedicada e cheia de esperanças. Mas minha vida sempre foi no nível mais difícil possível, to pronta pra encarar os desafios!
Ah, durante a espera das consultas e na volta (esperando o ônibus e depois dentro dele) li 'noites brancas' do Dotoievski e talvez por um momento que estou passando na vida agora eu tenha uma visão que eu não teria se tivesse lido meses atrás, primeiramente lembrei do meu psicólogo me falando a frase 'sentir sentimentos, mas não se guiar por eles'.
O mocinho do livro completamente emocionado, talvez eu achasse completamente romântico aos 20 anos, mas lendo hoje achei ele lunático, completamente viciado em sentimentos, obcecado pela mocinha após ela ter sido a única que ofereceu a ele minutos de atenção, mas quem nunca na vida agiu com carência? Eu mesma sempre forte e convicta foi depois de 30 anos que agi com carência por duas vezes.... me senti acolhida quando vi que ele estava em um momento de vida que as coisas estavam indo tão mal que ele só precisava de alguém pra fantasiar, pra fugir da dura realidade, pois indisponível a mocinha mostrou-se ser o tempo todo... mas ao contrário dele eu nunca me entreguei a esse tipo paixão maluca e transtornada, pois eu também tenho meus limites 😅
Ao terminar de ler a vontade era de dar um chacoalhão nele e gritar 'acorda pra vida' e ao mesmo tempo vontade, de abraça-lo e acolhe-lo.
Trilha sonora de hoje: Metamorfose ambulante - Raul Seixas

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